// “As palavras estão todas do lado de dentro” é uma daquelas frases que parecem simples, mas carregam um universo inteiro. Ela nos convida a uma reflexão profunda sobre a origem daquilo que dizemos, sobre a intimidade do pensamento e sobre o poder oculto daquilo que ainda não foi dito.
As palavras, antes de tomarem forma nos lábios, existem silenciosamente dentro de nós. Elas habitam a memória, os sentimentos, os desejos, os traumas, os medos e as esperanças. Estão no coração e na mente, pulsando em silêncio, esperando o momento de emergir. “Do lado de dentro” significa que o que dizemos – ou deixamos de dizer – nasce primeiro em nossa interioridade.
Cada frase que expressamos é só a ponta visível de um iceberg muito mais profundo.
Essa frase também fala sobre o desafio da comunicação. Às vezes, sentimos tanto, pensamos tanto, mas não encontramos as palavras certas para expressar o que se passa. A linguagem é uma ponte, mas nem sempre conseguimos atravessá-la. E nesse silêncio, as palavras continuam ali, do lado de dentro, se acumulando como um rio que insiste em não transbordar. O lado de dentro é o território da alma.
Essa reflexão nos chama à escuta – não só dos outros, mas principalmente de nós mesmos. Escutar o que está guardado em silêncio, compreender o que ainda não virou discurso. Dar espaço para que as palavras internas encontrem seu tempo de nascer, sua forma de existir no mundo. E, também, nos ensina a respeitar o silêncio do outro, pois o que não foi dito muitas vezes pesa mais do que o que foi.
Em um mundo barulhento, em que há excesso de informação, a frase “as palavras estão todas do lado de dentro” é um convite à pausa, à introspecção, à escuta sensível. Há palavras que nunca serão ditas, não por falta de vontade, mas por serem grandes demais para o som. Palavra também é corpo.
Silvestre Neto
CRP 09/20038



