A saída é para dentro

// A saída é para dentro. Há um momento em que o corpo cansa de procurar lá fora o que só pode ser encontrado no silêncio do próprio peito. Cansa de correr atrás de respostas em vozes alheias, em promessas de distração, em caminhos que se multiplicam, mas não conduzem. Um momento em que a vida, com sua delicada sabedoria, nos chama de volta, para o centro. Porque é ali, nesse território íntimo e quase esquecido, que mora aquilo que sustenta: o sentido, o nome das dores, o contorno do que somos.

Entrar em si é, antes de tudo… é aceitar o convite de caminhar por corredores escuros, por lembranças que doem, por silêncios que pesam. É ter a humildade de reconhecer que dentro também há bagunça, que a casa interna nem sempre está arrumada, e que, ainda assim, é ali o lugar da cura. A saída é para dentro porque nenhuma fuga preenche o que não foi olhado.

A saída é para dentro porque é lá que habitam as respostas que o mundo não pode dar. É lá que mora a força que não vem dos outros, mas daquilo que, mesmo silencioso, insiste em pulsar. E quando se aprende a habitar esse espaço, certos nomes passam por mudanças.

Olhar para dentro não é se isolar do mundo, é retornar a ele de outro modo: mais inteiro, mais sensível, mais livre. É entender que a travessia não é sobre escapar da dor, mas sobre aprender a caminhar com ela, sem perder o passo, sem perder a ternura.

E então, pouco a pouco, o dentro se abre como um horizonte. E o que antes parecia prisão se revela casa.

Silvestre Neto
CRP 09/20038

Gostou do conteúdo?
Compartilhe!

Postagens recentes