// Dar nome às coisas requer atravessar a confusão dos silêncios, enfrentar o desconforto de reconhecer o que sentimos, sem disfarces. Nomear é admitir: eu sinto. Há uma grandeza nisso. Porque só o que é assumido pode ser cuidado. Só o que é dito pode começar a ser transformado. Nomear é o primeiro passo da escuta.
Há palavras que curam, não porque resolvem, mas porque revelam. Quando uma emoção ganha nome, ela deixa de ser um inimigo invisível e passa a ser uma presença com quem podemos dialogar. Dar nome é humanizar o indizível. É permitir que o que antes doía em silêncio respire em voz.
As emoções querem ser vistas, não julgadas. Querem ser reconhecidas, não corrigidas. E ao nomeá-las, damos a elas esse direito: o de existir. E isso basta, às vezes, para que algo se acomode dentro. Porque o que é escutado se aquieta. O que é acolhido deixa de gritar.
Dar nome às coisas é fazer as emoções serem vivas. É transformar o sentimento em linguagem, e a linguagem em ponte. Entre o que sentimos e o que podemos compreender. Entre o que vivemos e o que podemos transformar. E nesse movimento de nomear, também nos tornamos mais vivos, mais inteiros.
Dar nome às coisas é fazê-las pulsar, respirar, existir. Porque aquilo que ganha nome, enfim, ganha vida.
Silvestre Neto
CRP 09/20038



