// Exista com a delicadeza de quem não precisa de aplausos para se manter de pé. Há uma beleza serena em ser sem plateia, em dançar no escuro, em rir sozinho, em plantar sem saber se virá colheita. Porque a existência verdadeira não é espetáculo; é semente, é raiz.
Quantas vezes deixamos de dizer algo bonito por achar que não será ouvido? Quantas ideias guardamos na gaveta porque o mundo parecia ocupado demais para escutá-las? Há um engano doloroso em acreditar que só valemos quando validados, que só importa o que ecoa em likes, comentários, olhos alheios. Mas há vida nos gestos invisíveis, nos passos sem trilha sonora, na lágrima que ninguém viu cair.
Não espere a plateia para pintar o quadro, para escrever o poema, para tocar aquela canção só sua, para ser quem você é quando não está tentando agradar. O mundo já tem palcos demais; falta chão firme para quem caminha em silêncio, falta abraço e acolhimento para quem escolhe ser sem performance.
Os pássaros cantam sem saber se serão ouvidos, e ainda assim cantam. As flores desabrocham mesmo no meio do mato, longe dos olhos humanos, e ainda assim florescem. Há dignidade em ser anônimo, há força em continuar mesmo sem testemunhas. É se reconhecer inteiro quando o mundo está distraído.
Sem edição, sem performance, sem pose, sem plateia.
Silvestre Neto
CRP 09/20038



