Qual o gosto do seu desejo?

Seria doce como fruta madura, ou amargo como o que ainda não pode ser colhido?
Tem cheiro de mar, de liberdade, ou de quarto fechado e sonho contido?

O desejo é coisa viva, não se explica, se sente.
Ele arde na língua antes mesmo de ganhar nome, escorre pelos poros, desobedece às razões e se alimenta das brechas do possível.

Mas há quem o esconda, quem o dobre em silêncio, quem o guarde dentro do peito por medo de que o mundo o julgue.
E, no entanto, o desejo não morre, ele apenas se transforma: vira suspiro, lágrima, ou um cansaço antigo de quem já se negou demais.

O gosto do desejo muda com o tempo.
Às vezes tem o sabor agridoce daquilo que sabemos que não podemos tocar, outras vezes é puro mel… quando, enfim, ousamos provar daquilo que o coração tanto pediu.

Há desejos que queimam, e outros que curam.
Há os que nos empurram para o abismo, e os que nos devolvem o chão.
Mas todos, absolutamente todos, nos revelam algo sobre quem somos.

Tem gosto de coragem, de entrega, de descoberta?
Ou ainda de medo, de contenção, de sonho engasgado?
Talvez tenha gosto de recomeço, aquele sabor leve e salgado das lágrimas que anunciam um novo tempo.

Provar o próprio desejo é um ato de vida.

Então, eu te pergunto de novo: qual o gosto do seu desejo?

Silvestre Neto
CRP 09/20038

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