Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios

// Em meio às demandas do mundo, aos compromissos do dia a dia, às expectativas que os outros projetam sobre nós – e nós projetamos sobre os outros- muitas vezes nos vemos correndo — correndo para cumprir prazos, para agradar, para não decepcionar, para conquistar algo que talvez nem tenha nascido de um desejo nosso.
E nessa corrida, há algo que se perde pelo caminho:
nós mesmos.

Faltar a si próprio não é, necessariamente, um ato consciente. Às vezes, é sutil. Começa quando engolimos palavras para evitar conflito. Quando sorrimos para disfarçar o cansaço. Quando nos forçamos a continuar mesmo quando o corpo e a alma pedem pausa. Quando dizemos “sim” querendo gritar “não”. Quando nos adaptamos tanto aos outros que esquecemos de quem éramos antes de tentar agradar.

Faltar a si próprio é viver de fora para dentro. É vestir máscaras para ser aceito – entrar em consenso para o Baile de Máscaras. É reprimir sentimentos para não incomodar. É desacreditar dos próprios sonhos por achar que são grandes demais, ou tolos demais, ou fora do esperado.
É ignorar os sinais do corpo (corpo integrado; corpo-eu-corpo).

E quando isso acontece — quando nos ausentamos de nós — tudo parece faltar. Falta sentido, falta brilho, falta direção. As relações tornam-se superficiais. A rotina pesa. A vida, mesmo cheia de coisas, parece vazia. Porque não importa o quanto tenhamos por fora se estamos escassos por dentro.

Recuperar-se de si mesmo exige coragem. Coragem para olhar para dentro, para se confrontar, para fazer perguntas difíceis: “O que é realmente importante para mim?”, “Estou vivendo a vida que eu gostaria ou apenas seguindo um roteiro que me entregaram?”, “Em que momentos eu deixo de ser quem sou para agradar, pertencer, sobreviver?”

É preciso reaprender a se escutar. A honrar o que se sente. A dizer “não” sem culpa. A se colocar em primeiro lugar, não por egoísmo, mas por integridade. Porque quando nos damos o que precisamos — tempo, carinho, compreensão, verdade — o mundo à nossa volta se reorganiza. As relações se tornam mais verdadeiras. As escolhas mais coerentes.

Silvestre Neto
CRP 09/20038

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